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05 novembro 2025

O desafio da consciência carnal: Escolhas físicas errôneas que se desviam do caminho e missão espiritual

Inesperadamente, fui chamado a uma das salas espirituais do nosso Lar, onde pude encontrar um grande espírito encarnado, que estava ali em desdobramento, a me receber com seus sentimentos. Ele havia sido levado em espírito por dois irmãos da Luz, que o acompanhavam no físico. Seu espírito, em ampla consciência, deixou seu corpo naquela noite, vindo em busca de ajuda.

Assim que entrei na sala, aproximei-me, sentei-me à sua frente e logo aquele espírito me estendeu suas mãos. Seu choro dominou seus sentidos, e eu pude ver todo um arrependimento. Aquele espírito à minha frente era de fundamental importância para minha própria continuidade em minhas tarefas.

Eu, particularmente, havia me retirado em meditação por dias e dias após seu físico ter se distanciado do seu próprio rumo. Segurei suas mãos firmemente, como a lhe passar segurança, sendo que eu mesmo havia precisado disso há semanas atrás, em contagem terrena. Enfim, ali estávamos e ele precisava falar, se justificar ou até mesmo desabafar as dificuldades de uma mente carnal. Coloquei, imerso em um amor muito grande por ele, minhas mãos sobre sua cabeça e lhe dei um bálsamo de tranquilidade para aliviar seu sofrimento. Permanecemos em silêncio, e logo pedi para que ele se pronunciasse sobre aquilo que precisasse.

Dizia aquele espírito:

"Impressiona-me como minha mente carnal me coloca como certa de minhas razões, e só posso perceber isso aqui, em espírito. Confundo-me a todo momento, no físico, com sentimentos que, em muitas vidas passadas, me deram a mesma confusão, e me deixo levar por isso, como sempre o fiz anteriormente. Todas as noites estou aqui, em nosso Lar, na verdade de minha consciência. Porém, quando retorno ao sono terreno, na vida diária, volto inconsciente de minha verdade e retorno à minha realidade física.

Somente aqui percebo as diferenças entre as duas condições que vivo. Tenho certezas físicas que aqui são desfeitas. Tenho sentimentos físicos que aqui percebo que são cármicos. E eu não consigo encarar isso no mundo carnal, porque existem dentro de mim sentimentos e considerações que me afastam daquilo que eu jamais poderia me afastar.

Acabo criando outras situações, sempre físicas, que me ocupam o tempo e me convencem, em físico, de que estou no caminho certo. Sofro, diariamente, em espírito, pelo fato de minha consciência carnal já ter decidido abandonar resgates e se convencer de que resolverá algumas situações na próxima vida ou em vidas vindouras. Isso é terrivelmente um retrocesso em que me encontro, pois minha consciência aqui na Espiritualidade jamais foi desta maneira. Todas as noites, em espírito, procuro pedir perdão por tudo o que fiz e faço em físico. Minha consciência física, hoje, nesta minha vida atual, está inserida em uma energia errônea que eu mesma criei por minhas próprias condutas carnais. E eu não consigo me desvencilhar disso."

Suas lágrimas corriam face abaixo. Seu sofrimento consigo mesmo não permitia que continuasse com seu desabafo. Ele prosseguiu, após recuperar-se:

"Já tive algumas oportunidades para recuperar minha história espiritual, mas minha consciência física não me permite concretizar o que devo, e crio carmas. O que mais dói em mim mesma é que aceito criar esses carmas e resolver depois."

Novamente, aquele espírito, gigante em suas histórias de vidas em vidas, permitiu que mais lágrimas escorressem por sua face. Mais um instante de pausa. Eu olhava, penalizado, como um espírito se perde nas ilusões mundanas. Prosseguiu:

"Hoje, destruí minha história e, ainda por cima, me convenci de que depois resolvo isso. Tudo para viver em um físico como deseja minha mente carnal. Uma razão física que me destrói a história espiritual."

Eu permanecia em silêncio. Tinha muitas coisas a lhe dizer, mas, ao mesmo tempo, nada eu tinha para lhe falar, pois ele mesmo havia dito tudo.

Como a um filho, como já o foi, aquele espírito à minha frente havia se convencido de sua verdade no físico e jamais encontraria consigo mesmo em sua essência, porque havia se afastado daquilo que jamais poderia ter se afastado. E jamais teria a humildade de reconhecer o que precisava. O que mais me doía, naquele dia, era o fato de saber que a vida física iria responder a tudo isso, e futuramente sua consciência carnal iria lhe dar a sabedoria das suas atitudes. Algumas consequências seriam muito dolorosas, mas ele pensava que poderia suportar tudo isso, mesmo não sabendo o que viria pela frente.

Sua dor momentânea, em espírito, era apenas um décimo do que seu físico iria lhe proporcionar. Mesmo assim, eu o via permanecendo em seus erros, repletos de uma razão assertiva, apenas no plano físico. Culparia todo o entorno e não enxergaria as coisas com olhos espirituais; o físico lhe cegaria as emoções.

Eu, impossibilitado de qualquer ajuda, pois ele mesmo já tinha em sua mente sua própria solução, entristeci-me nos últimos tempos por toda essa incapacidade de auxílio a quem é uma das existências, seja como espírito ou matéria, que mais amo em toda minha história. 

Minhas lágrimas também participaram daquele encontro, porém lágrimas de não saber o que mais fazer para ajudar aquela história a voltar à sua normalidade.

Eu não poderia ajudar a quem já havia decidido por si mesmo.  
Eu não poderia ajudar em respeito ao livre-arbítrio que todos têm direito.  
Eu não poderia ajudar quem já havia decidido resolver sua história nas próximas vidas.  
Eu, no meu mais puro e sincero amor, poderia apenas fazer minhas preces, emanar luz de consciência e torcer para que utilizasse sua livre escolha para seu próprio bem, não contra si mesmo.

Sejas humilde por toda tua vida,
AGNALDO SILVEIRA
 
Psicografado pelo médium Cláudio Delbiagi
Pelo Espírito de Agnaldo Silveira
5/11/2025

 

Colônia Fraternal Bom Jesus
Centro Espírita no Ipiranga - SP
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